Uma plataforma que conecta famílias de crianças com autismo (TEA) a profissionais especializados. Do problema ao pitch, construída de ponta a ponta num programa de empreendedorismo da Wadhwani Foundation.
A Salto nasceu dentro de um programa de empreendedorismo da Wadhwani Foundation — um treinamento intensivo que leva um time a percorrer todo o processo de criação de uma startup.
Nossa aposta: atacar um problema real e crescente — o acesso a cuidado para famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — e transformá-lo numa startup validada, com marca, modelo de negócio e pitch. A Salto (TEA Center) é uma plataforma que conecta pais e profissionais especializados num só lugar.
Os diagnósticos de autismo crescem no mundo todo — 1 em cada 36 crianças, um aumento de 22% na prevalência. Com eles cresce a demanda por apoio. Mas falta orientação clara e confiável para os pais e sobram profissionais qualificados sobrecarregados, o que dificulta o acesso ao tratamento adequado.
Fui cofundadora da Salto e atuei nas frentes onde design e estratégia se encontram. Conduzi a pesquisa e a validação (público, personas e dados de mercado), participei da modelagem de negócio — proposta de valor, Lean Canvas e go-to-market — e fui responsável pela marca e pelo design de todo o pitch: identidade visual, mascote e a narrativa visual que sustentou a apresentação. Tudo em time, ao longo do programa.
Focamos a praça em Manaus – Amazonas, com dois nichos: mães de crianças e adolescentes autistas, e assistentes terapêuticos. As personas guiaram cada decisão de produto e comunicação.
O dimensionamento de mercado mostrou o tamanho da oportunidade — e uma meta inicial realista de impacto.
Ouvimos o público por survey para validar a dor e a disposição de investir. Os números confirmaram a demanda: a maioria dos pais toparia usar uma plataforma que organizasse o atendimento e desse acesso a profissionais qualificados em TEA.
O nome carrega a ideia de avanço — o salto de desenvolvimento que cada criança pode dar com o apoio certo. Criei a identidade com um mascote-pássaro, uma paleta viva de azul e coral e uma linguagem 3D acolhedora, para uma marca de saúde e educação que fosse ao mesmo tempo séria e humana.
Estruturamos a Salto num Lean Canvas, com acesso freemium, parcerias com organizações de autismo e campanhas de marketing de conteúdo. O plano financeiro projetou custos, receita e ponto de equilíbrio, e a captação-alvo foi desenhada para bancar plataforma, time técnico e marketing.
Todo o raciocínio virou um pitch deck desenhado por mim — da análise de concorrência ao plano de mídias, da proposta de valor às features para pais e profissionais. Uma peça só, coesa, para defender a Salto diante da banca.
A Salto foi construída por um time multidisciplinar ao longo do programa — cada frente (negócio, marketing, produto e design) com um responsável, todo mundo puxando junto.
Em poucas semanas, saímos de um problema para uma startup completa e defensável: pesquisa, personas, dimensionamento de mercado, marca, modelo de negócio, plano financeiro e um pitch fechado — apresentado no programa da Wadhwani Foundation.
A Salto me tirou da zona de conforto do design puro e me colocou no lugar de fundadora: pensar público, mercado, receita e risco — não só a interface. Aprendi que uma boa marca só se sustenta quando está amarrada a um modelo de negócio que fecha, e que pesquisar cedo é o que separa uma ideia bonita de uma oportunidade real. Levar um problema social sério até um pitch defensável, em time e sob prazo, foi o maior aprendizado.