Um assistente pessoal que reúne clima, trajeto, agenda, aniversários e notícias numa única tela conversacional — e responde por voz. Da pesquisa ao pixel.
Para montar a rotina, a maioria das pessoas pula entre cinco apps toda manhã: clima, mapa, agenda, feed de notícias e a lista de aniversários.
Nada disso conversa entre si, e cada troca custa tempo e atenção. O aio (de all-in-one) nasceu de uma pergunta simples: e se tudo o que a pessoa checa para entender o próprio dia estivesse reunido em uma só tela inteligente — acessível também por voz?
Concentrar clima, trajeto, compromissos, aniversários e notícias num único lugar sem transformar a tela em um painel poluído — e fazer isso com uma personalidade própria, num mercado onde os assistentes virtuais já se parecem muito uns com os outros.
Entrei no projeto para somar com uma designer que já havia desenhado parte da interface — e daí em diante o aio foi tocado a quatro mãos. Trabalhamos juntas na pesquisa, no conceito de marca, no naming, na identidade visual e no refinamento das telas — dividindo decisões e construindo sobre o que ela já havia começado. Uma parceria com uma profissional muito competente.
Antes de desenhar, estudei os assistentes virtuais mais usados — Google Now, Siri, Cortana, Alexa e S Voice — para entender território, linguagem e funcionalidades. A matriz comparativa ajudou a enxergar lacunas e oportunidades.
Ao comparar as marcas, dois padrões se repetiam: forma circular e cores em degradê. Esse foi o ponto de partida para uma identidade que pertencesse à categoria — mas com voz própria.
Numa dinâmica de brainstorming e consolidação, definimos quem o aio seria. Três atributos guiaram todas as decisões seguintes — de nome a cor, de tom de voz ao microcopy.
A cara do Brasil: um povo cheio de vida. A marca transmite alegria, graça e sagacidade.
Atual a cada amanhecer — o novo todos os dias, traduzido nas cores e na estética de tecnologia.
Conversa que flui: clara e simples. A informalidade torna a experiência leve e agradável.
Parti de mais de 400 nomes usados no contexto brasileiro e apliquei um funil de critérios: mais marcantes, mais utilizados, monossílabos e fáceis de pronunciar.
Dois territórios disputavam a decisão: um nome para um assistente inteligente e outro para um assistente que obedece comandos. O vencedor precisava ser curto, fácil de falar e fiel ao conceito.
O atributo "moderno" levou à tendência de degradê; o degradê levou a uma referência natural e cheia de vida: a aurora boreal. Dela nasceram a paleta — verdes, azuis, roxos e magenta em transição contínua — e a forma circular, alinhada à categoria.
O onboarding apresenta o app, conecta a conta e captura o contexto da pessoa — casa, trabalho e interesses — para que a primeira tela já venha sob medida.
A tela principal abre com uma saudação personalizada e organiza o dia em blocos priorizados: clima, trajeto até o trabalho com tempo estimado, aniversariantes, próximos eventos da agenda e um feed de notícias baseado nos interesses escolhidos. Cada bloco é acionável.
O feed de notícias nasce das manchetes escolhidas no onboarding e abre a leitura sem tirar a pessoa do app — inclusive com a fonte original em webview.
E o coração do aio: a interface conversacional. Um toque no microfone e a pessoa pede o que quiser — "quero ouvir meu dia", "previsão do tempo para hoje", "qual o trajeto mais curto" — sem navegar por menus.
O repertório que sustentou o projeto de ponta a ponta:
Leitura dos assistentes do mercado e matriz de funcionalidades.
Três atributos — alegre, moderno, informal — guiando cada decisão.
De 400+ nomes aos finalistas, por critérios objetivos.
Da tendência de degradê à aurora boreal e à paleta final.
Priorização dos blocos da tela e do fluxo de onboarding.
Padrões de voz e microcopy para pedir e ouvir informações.
O projeto entregou uma marca completa e uma interface ponta a ponta: um nome nascido de pesquisa, uma identidade visual com conceito por trás de cada escolha e um app que cobre onboarding, dashboard, notícias e voz — coeso do primeiro toque à última tela.
Levar o aio da pesquisa ao pixel, em dupla, reforçou o quanto uma decisão de conceito guia toda a estética: foi a personalidade "moderna" que, por uma cadeia de escolhas, chegou até a aurora boreal e à paleta final. O próximo passo natural seria colocar o protótipo em testes de usabilidade reais, medir a clareza da leitura do dashboard e refinar o comando de voz a partir de como as pessoas de fato falam com o assistente.